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Descentralizando tudo

Esse artigo é baseado na palestra de mesmo título criada por mim e pelo Gabriel Rhama para a Campus Party de Brasília1. Como o conteúdo é bem legal, achei que colocar ele por escrito seria também interessante. Pra facilitar, devo escrever em várias partes, uma pra cada um dos temas que abordamos na palestra.

Introdução

A primeira coisa que vem à mente quando falamos de criptomoedas2 é descentralização3. Criptomoedas são descentralizadas, Blockchain é consenso descentralizado. Mas o que isso quer dizer? Pra que serve isso? Porque isso é tão importante?

TCP/IP4

Vamos voltar um pouco no passado e falar sobre a internet. Na década de 1960 o governo americano financiou um projeto de pesquisa para a criação de uma rede de computadores. Não é a primeira rede, já existiam outras, abrangendo universidades, empresas, etc. Essa nova rede tinha um objetivo específico: resistir a ataques nucleares que tirassem do ar um ou mais dos computadores envolvidos. Até então, as redes eram estruturadas de forma centralizada (um computador central que se comunica com vários terminais) ou hierárquica (sem apenas um computador central, mas computadores ligados de forma em que alguns são concentradores das informações vindas dos outros). Redes com esses formatos são extremamente frágeis em caso de ataque. Atacando um único computador você interrompe toda a rede.

A Darpa5, agência de pesquisa do departamento de defesa dos EUA, junto com algumas universidades norte-americanas, desenvolveu então a ARPANET, e seu protocolo de comunicação, o TCP/IP. A ARPANET, que depois evoluiu e veio a se chamar Internet6, usava de um protocolo descentralizado, onde nenhum computador é mais importante que o outro e onde os caminhos entre um computador e outro se adaptavam de acordo com a disponibilidade dos mesmos. Com isso, se um computador saísse do ar por qualquer motivo, os outros continuavam se comunicando normalmente. Não havia um ponto central de falha. Tínhamos aí o primeiro uso da descentralização: Resistência a falhas e ataques.

O TCP/IP foi o primeiro passo em direção a descentralização, a descentralização dos canais de comunicação.

Bitcoin78

Em 2008, Satoshi Nakamoto9 deu mais um passo em direção a descentralização: O Bitcoin10. Bitcoin é uma moeda digital descentralizada que funciona sobre um protocolo criptográfico. Era logo depois da crise de 200811, onde os bancos haviam criado uma bolha econômica e depois recorreram aos governos dos seus países para evitarem a falência, enriquecendo com dinheiro público ao mesmo tempo em que transformavam em pó as economias da população. A ideia do Satoshi era dar ao cidadão comum uma alternativa ao dinheiro digital que não fosse controlada pelos bancos.

Não tenho certeza se o Satoshi tinha noção de quão revolucionário era o sistema que ele criou. Acredito que, pra ele, era só mais uma evolução dos sistemas de moedas criptográficas que tinham vindo antes, como o bit-gold12 ou o hashcash13. Inclusive, muitas das ideias que ele usou foram tiradas dessas precursoras.

Com o Bitcoin, o Satoshi se aproveita de mais uma vantagem da descentralização: Resistência à censura. Os bancos não podem mais fechar sua conta e recusar seu crédito, eles não tem mais controle sobre seu dinheiro.

O Bitcoin trouxe a descentralização do dinheiro!

Blockchain14

Esse é um caso bem especial. Para o Satoshi Nakamoto, só existia o Bitcoin15. Só depois de lançado o Bitcoin é que outros desenvolvedores e cientistas perceberam que dentro do Bitcoin existia mais uma inovação, que poderia ter vida própria: A Blockchain! A Blockchain, ou cadeia de blocos, é a estrutura de dados que dá suporte ao Bitcoin. É o banco de dados por trás do Bitcoin, e de todas as criptomoedas.

Não vou entrar aqui no debate filosófico se Blockchain existe sem o Bitcoin ou não. Alguns acham que sim, outros que não. Enfim, não é o meu debate e daria para uma nova série de artigos. Afirmo apenas que ela tem uso que não é simplesmente dar suporte ao Bitcoin, precisando do Bitcoin para existir ou não.1617

A Blockchain trouxe mais uma inovação: ela permite o registro de dados, não somente de dados financeiros, mas quaisquer dados, de forma descentralizada. Enquanto o Bitcoin usa a Blockchain apenas para o fim específico de realizar transações financeiras, outros sistemas podem se aproveitar dessa mesma infraestrutura para registrar todo tipo de dados.

É bom tomar cuidado com isso. Descentralização não é algo barato. Uma Blockchain vai ser replicada em TODOS os computadores que formam a rede descentralizada onde ela opera. Isso tem um custo. Esse custo é refletido nas famosas “taxas de transação” do Bitcoin, ou no “gas” da rede Ethereum. Então enquanto Blockchain é uma ferramenta fantástica, ela não é bala de prata. Ela é uma solução cara para problemas específicos.

A Blockchain é então outro degrau no nosso caminho rumo a descentralização: descentralização do armazenamento de informações.

Smart-Contracts1819

Apesar de já existirem no Bitcoin os smart-contracts “simples”, foi com a Ethereum e o Vitalik que surgiram os smart-contracts como entendemos hoje. Uma coisa importante que é preciso entender sobre smart-contracts é que, apesar do nome, eles não são contratos como nós entendemos. São trechos de código capazes de serem executados de forma descentralizada. Você escreve um trecho de código, registra ele na Blockchain, e depois ele pode ser executado por você ou por terceiros para processar as informações e registrá-las também na Blockchain. Um smart-contract vai ser executado simultaneamente em todos os nós participantes da sua rede de forma a validar se os dados gerados por ele podem ou não ser gravados na Blockchain. De novo, como toda descentralização, esse processo é caro. Por isso existem restrições quanto ao tamanho e funcionalidade do código a ser executado. E essa execução tem um preço a ser pago: o “gas”20, a ser pago aos mineradores em troca desse serviço.

Smart-contracts então não são contratos, são uma forma de estender as regras de consenso de uma Blockchain. Com um smart-contract o usuário cria novas validações, novas regras de consenso, novas funcionalidades em cima de uma Blockchain existente, sem precisar criar uma nova Blockchain. Isso permitiu coisas com os tokens ERC2021, e consequentemente as ICOs22. E permite que você estenda sua Blockchain para armazenar e processar virtualmente qualquer tipo de dado.

Smart-contracts são a descentralização do processamento de dados.

Decred23

Em 2013, Tacotime, criador da Monero24, propôs uma moeda chamada Memcoin2 (MC2), usando um sistema híbrido de Proof-of-Work (PoW) e Proof-of-Stake (PoS)2526. Logo em seguida, e de forma independente, o Charlie Lee27, da Litecoin propôs um sistema similar que ele chamou de Proof-of-Activity (PoA)2829. As ideias por trás da MC2 acabaram indo parar nos ouvidos da Company 0, empresa responsável pelo btcsuite, e a equipe então usou essas ideias em uma nova moeda, a Decred30. O foco principal da Decred seria prover governança descentralizada para evitar os problemas de governança constantes na Criptoesfera que geram tantos forks, novas moedas e brigas políticas.

A Decred dispõe de um sistema de votação onchain, um sistema de registro de documentos (Dcrtime) e de apresentação de propostas para a moeda (Politeia).

Decred é a descentralização da governança.

Resumo da primeira parte e conclusão

Nesse primeiro artigo vimos a evolução das tecnologias e criptomoedas em direção à descentralização:

  • TCP/IP é a descentralização dos canais de comunicação.
  • Bitcoin é a descentralização do dinheiro
  • A Blockchain é a descentralização do armazenamento de informações.
  • Smart-contracts são a descentralização do processamento de dados.
  • Decred é a descentralização da governança.

Em especial vimos a importância da descentralização em:

  • Resistência a falhas
  • Resistência a ataques
  • Resistência a censura.

Descentralização é uma ferramenta de resiliência para sistemas de informação. Com a descentralização, busca-se garantir que nenhum tipo de falha, ataque, ou entidade em posição de autoridade interrompa, censure ou interfira na operação dos sistemas.

 

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Nós não somos ocidentais.

A primeira vez que eu me deparei com esse problema foi em 83, na França, quando minha mãe, durante o doutorado, precisou preencher um formulário da universidade que perguntava “origem cultural”, ou algo assim. Ela marcou “ocidental”. O orientador dela reclamou:
– Você não é ocidental!
– Não? ela perguntou espantada. Mas então o que eu marco?
E as opções eram africano, árabe, próximo-asiático ou oriental. Não conseguiram descobrir o que ela era, deixaram em branco. Descobrimos o que nós éramos 10 anos mais tarde, no canadá, onde os formulários sempre tinham a opção: latino! (Alguns bem explícitos, “latino, mesmo que branco”). Não, definitivamente não éramos ocidentais, mas agora pelo menos éramos alguma coisa.

The-Good-the-Bad-and-the-Ugly[amazonify]B0052REUW0:right[/amazonify]Daí em diante, sempre me deparo com esse problema. Outro dia foi um blog cético qualquer que falava sobre o oriente médio citando um [amazonify]B0052REUW0::text::::livro do Pinker[/amazonify] sobre a violencia: “o pinker mostra como nós passamos por um processo civilizatório que resultou em maiores direitos humanos”, e pombas, o pinker não fala de nós. Ele falava explicitamente: EUA e Europa Ocidental. E aí eu percebo que o blogueiro cometeu o mesmo erro da minha mãe e preencheu no seu formulário mental: “etnia: ocidental”. Não, o pinker não falou da gente, nós não passamos pelo processo civilizatório que ele cita, nós não somos ocidentais.

Tem horas que eu mesmo me confundo. Por mais que eu saiba que não sou ocidental, essa idéia nos permeia tanto que, se não prestarmos atenção, a gente se agarra nela. Quando estava grávido do Tomás, fui ler o [amazonify]B000FC1KBG::text::::livro da encantadora de bebês[/amazonify]. E pombas, que mulher “caga regras”. Me revoltava a forma como ela tratava os bebês e os pais. E aí num belo momento ela me fala que numa casa onde ela trabalhou estava tudo errado: o bebê só acalmava no colo. E era tudo por causa de uma babá guatemalteca que sempre mantinha o bebê no colo, já que, no país dela, os bebês ficam sempre no colo e não no berço como deveria ser.

Nossa! Larguei o livro xingando: QUE MULHER XENÓFOBA RACISTA DO CARALHO! Que diabos, ela quer impor a cultura dela, desprezando a cultura da coitada da babá guatemalteca, que, se bobear, nunca tinha visto um berço antes de ir pros EUA. Bufei por uns bons minutos até parar pra pensar de novo: Pombas, porque eu tou puto? Ela nem desprezou a cultura da outra, só constatou como era! Mas então porque me pareceu que ela estava “cagando regras”? E aí cai a ficha de novo: Porque o livro dela não é pra mim! EU NÃO SOU OCIDENTAL! Ela não está cagando regras, ela está ensinando os pais a tratarem os bebês como se faz na cultura dela, na cultura ocidental! Ela não “caga a regra” de que criança não pode ir no colo, essa É a regra na cultura dela. Assim como criança ficar no colo é a regra na NOSSA cultura, mais parecida com a da babá guatemalteca do que da dela!

Aí chego no ponto atual, no meu ultimo conflito com a cultura ocidental: o texto que circulou no facebook traduzido como “A derrota do feminismo no Facebook“. Quando li, fiquei revoltado. POMBAS, que mulher “caga regras”, maldita preconceituosa! Culpando as coitadas das mães, que já não sofrem pouca pressão da sociedade, só porque cederam um pouquinho da sua personalidade em nome de serem mães, no maior estilo “blame the victim”. Me deu ódio, me meti em discussões acirradas sobre feminismo ser sobre dar poder pra essas mães se encontrarem fora dos estereótipos, e não culpá-las e estereotipá-las desse jeito.

Aí, discutindo com o Bruno ainda sobre o assunto, uma frase dele me deixou com a pulga trás da orelha: “Mas a minha avó, por exemplo, DEPENDE dos filhos pra tudo.” Pombas, se a avó dele, e as mulheres da geração das nossas mães em geral, é que se encaixam nesse estereótipo, porque diabos a Katie Roiphe me diz no texto que “Não posso deixar de pensar que nossos pais jamais teriam suportado tênis que apitam ou conversas que giram inteiramente em torno de crianças.” Não encaixava, como assim nossos pais jamais teriam suportado, se são exatamente nossas mães que mais se comportam assim?

Mas é claro! É porque NÓS NÃO SOMOS OCIDENTAIS! Esse texto não era pra mim, não era pra nós. A Katie Roiphe não está cagando regras, nem mesmo culpando as vítimas. Ela está constatando uma mudança cultural que, na opinião dela é negativa, e está apontando os agentes da mudança: as mães que trocam suas fotos no facebook pela dos filhos! Enquanto pra nós, latinos, postar essa foto é um reflexo da opressão do passado, pra ela, ocidental, é uma novidade, uma escolha de caminho futuro, um retrocesso! Não era pra eu ter raiva do texto porque o texto não foi escrito pra mim. Eu não sou ocidental!

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As mulheres, os militares e as mulheres militares.

Female flag officers honor first woman four-star
No meu ultimo post decente deixei no ar a pseudo-conclusão de que mulheres ganhariam menos que homens no serviço público federal. (“pseudo”, porque não tenho dados concretos pra embasar, e sim uma intuição a partir de dados preliminares). Depois fui cuidar de fazer tabelinhas bonitinhas com os dados pra postar no blog de novo, como quem não quer nada, achando que tudo continuaria como está. Baixei os dados no novo formato, fiz um novo programinha para calcular as estatísticas (dessa vez offline, postando os resultados já consolidados, vou tentar falar sobre ele depois).

Agora tinha dados pra maio e junho! ótimo! dá pra comparar os meses e ver o que mudou. Calculei os valores pra junho, tudo como esperado. Só pra conferir então, calculei os valores pra maio e… hein? caixa escrito frágil? Não tinha NADA a ver! Os Ricardos tinham sido desbancados pelas REGINAS! (pensado pelo lado bom, continuou na letra R). Recalculei, afinal no primeiro post usei os 100 mais comuns, agora eram os 200. Necas! Reginas batiam um bolão! Mas que diabos? Minhas contas antigas estariam erradas? Mas ai os valores de junho tinham de ser diferentes. Não, alguma coisa nos dados tinha mudado, e eu precisava saber o que!

NOME QUANTIDADE MEDIA
REGINA 1769 R$ 7.290,96
LUCIA 1634 R$ 7.253,19
DENISE 1397 R$ 7.095,79
SILVIA 1309 R$ 7.015,82
ELIZABETH 905 R$ 7.013,96
CRISTINA 959 R$ 6.979,49
CELIA 874 R$ 6.935,12
SERGIO 5330 R$ 6.900,84
ROSA 901 R$ 6.892,27
CELSO 1310 R$ 6.869,84
Maiores médias salariais por nome

A dica veio quando ao testar os javascripts de reordenar as tabelas, ordenei por “quantidade de servidores” a tabela dos órgãos. E os vencedores de sempre, ministério da saúde e INSS tinham pulado, em maio, pra 3º e 4º lugar. E na frente de tudo vinham os calouros Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Fiquei pasmo! Será? Será que os MILITARES, aqueles geralmente considerados retrógrados, conservadores, apegados a rigidez hierárquica e sobretudo MACHISTAS eram os responsáveis por colocar as mulheres no TOPO da lista? Será que nas forças armadas as mulheres ganhavam TÃO mais assim? Não é possível… Rápido, um select aqui, um order by ali e… PASMÉN!

SIM! As mulheres ganham, em média, mais que os homens entre os militares!

(só pra constar que essa é uma pseudo conclusão também, já que não tenho informação de sexo, só de nome, e não fiz uma pesquisa exaustiva, mas apenas entre os nomes mais comuns). Essa foi a segunda coisa mais contra intuitiva que eu ja tinha visto em toda minha vida, perdendo só pra Rua do Amendoim!

NOME QUANTIDADE MEDIA
MARIA 438 R$ 6.141,24
LUCIANA 300 R$ 5.716,87
ANA 830 R$ 5.390,72
ADRIANA 254 R$ 5.300,57
RENATA 386 R$ 5.275,04
PATRICIA 347 R$ 5.249,83
FERNANDA 358 R$ 5.010,69
JULIANA 375 R$ 4.748,59
MARCO 1335 R$ 4.664,48
SERGIO 1838 R$ 4.572,13
Maiores salários médios entre os militares

Minha cabeça já estava de ponta cabeça. Mas peraí! Os maiores salários das militares não são das Reginas, muito menos das Lúcias, Denises e Sílvias. Tudo bem as Militares ganharem mais, mas não são elas que colocaram as Reginas na frente! Tem mais alguma coisa acontecendo! E eu acho que sei o que é: eu nunca vi uma soldada!

Sério, conheço mulheres tenentes, capitãs, majores e até coroneis (coronelas?), mas nunca vi uma soldada! E menos ainda uma recruta: não existe serviço militar obrigatório para mulheres! Agora sim a coisa começa a fazer sentido. Fui conferir e.. os Ricardos que ganhavam altos R$ 8.329,88 na primeira leva dos dados, agora ganham “míseros” R$ 6.463,87. Já as Camilas pouco mudaram, de R$ 4.270,70 pra R$ 4.303,93. A ficha caiu. As forças armadas não puxam pra cima o salário feminino. Puxam pra baixo o masculino.

Tudo bem, o exército puxa pra baixo o salário dos homens por causa de recrutas e soldados. Vá lá, mas as mulheres continuam ganhando mais que os homens! Os números não mentem. É verdade, não mentem. Mas metade dos números só diz meia verdade. E a verdade verdadeira só vai aparecer quando se compara entre iguais. Mais selects, mais order bys e voilà. Meu senso comum restaurado, firme e forte: Entre os oficiais militares, quem ganha mais são os Walters. As Ritas, melhores colocadas entre as oficialas, só aparecem bem longe, na 94ª posição. E quando falamos de número de pessoas a coisa também não fica bem pras Marias (ou pras Anas, que é o nome mais comum entre as mulheres militares). Pra 1053 josés, o nome mais comum, temos apenas 411 anas (ou 264 marias).

ORDEM NOME QUANTIDADE MEDIA
1 WALTER 45 R$ 10.612,44
2 GERSON 47 R$ 10.133,28
3 ALVARO 82 R$ 10.036,26
4 ORLANDO 31 R$ 9.970,77
5 MARCO 282 R$ 9.931,24
6 SERGIO 373 R$ 9.898,51
7 CLAUDIO 304 R$ 9.895,78
8 WILSON 60 R$ 9.891,97
9 MAURO 122 R$ 9.860,34
10 NILSON 37 R$ 9.848,68
. . .
95 RITA 30 R$ 8.395,57
Maiores médias salariais entre oficiais

É, caiu por terra toda a esperança de feminismo militar. Na pratica, são poucas mulheres e apenas em em áreas de nicho. E elas só ganham mais, na média, do que os homens, porque não tem acesso aos cargos mais baixos. Quando a comparação é entre iguais, elas continuam no prejuízo.

O jeito é correr pras universidades, onde ainda impera um espirito progressista. Por lá, as Veras ganham dos Sebastiões, e as Reginas, Lúcias e Sônias disputam uma vaga nas quartas de finais.

NOME QUANTIDADE MEDIA
VERA 162 R$ 11.058,40
SEBASTIAO 85 R$ 10.679,09
NELSON 118 R$ 10.518,53
VICENTE 56 R$ 10.410,07
REGINA 186 R$ 10.302,47
ARMANDO 63 R$ 10.272,78
LUCIA 203 R$ 10.096,62
SONIA 222 R$ 10.046,67
WILSON 103 R$ 10.022,98
ALFREDO 66 R$ 9.954,97
Maiores médias salariais entre Prof. Universitários
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How i met your mother

Crianças,

Crianças da série How I Met Your MotherNo outono de 1999 o seu tio paulosta me chamou no mirc. Naquela época a internet era movida a vapor, a injeção eletrônica ainda era novidade e a piadinha de atender o chinelo toda vez que algum celular tocava ainda tinha graça. Era um tempo em que a internet parecia feita por torpedos de celular, só que sem celular, e o mirc era a segunda forma de comunicação mais utilizada na internet (a primeira era recadinhos em post-its pregados no monitor da pessoa). Pois bem, foi nesse ano que seu tio paulosta me chamou no mirc:

<paulosta> girino, tava mascano uma mulher aqui mas acho que ela eh proce.
[naquela época teclado acentuado também era novidade, quem dirá um programa que aceitasse acentuação]
<girino> porque?
<paulosta> ela eh bonitinha, mas eh baixinha e gordinha!
<girino> tem foto?
<paulosta> perai que jah mando!
-paulosta- DCC send ny.jpg
-girino- DCC file received 17 bytes/s
<paulosta> viu aih? eh essa anita que tah no canal!

Não sei bem se o diálogo foi exatamente esse, mas foi algo bem parecido com isso. Nesse ponto eu ainda não conheci sua mãe. Não. Primeiro porque, bem, naquela época medieval, a gente não tinha muito o costume de sair com a primeira pessoa que conversasse no mirc. Segundo porque ela fugiu pra Chicago e passou uns dois meses por lá… Conversando comigo todo dia, pelo mirc, claro! Num desses dias, a curiosidade dela falou mais forte:

<anita> girino, qual o seu nome?
<girino> girino mesmo, porque?
<anita> hummm

E ao mesmo tempo, outra janelinha pulava na minha tela:

<paulosta> a anita perguntou seu nome e eu falei que era julio cesar. finge que eh verdade.
<girino> hauhauhauahauhauahu [naquela época a gente ainda não ria “rss” ou “lol”, era hahaha ou huahauhua, acreditam nisso?]

De volta a janelinha da anita:

<anita> ah, eu descobri seu nome! eh Julio Cesar!
<girino> como vc descobriu? foi o paulosta que te contou?
<anita> claro que nao! eu descobri sozinha!

Desse dia em diante, eu era, pra todos os efeitos, Júlio César! (Menos mal, se já  acreditaram quando eu disse que meu pai tinha morrido na guerra da Criméia e, no primeiro de abril de 2002, que eu faleci vítima de gripe asiática, eu chamar Júlio César era fácil).

Depois dessa lenga lenga toda, a galera do mirc, ou melhor, a galera que bebia comigo e com o paulosta e também frequentava o mirc por nossa causa, resolveu fazer um encontro no boliche do shopping Del Rey. A Anita tinha voltado de chicago e pela primeira vez eu a convenci a me encontrar: não estaríamos sozinhos, era perto da casa dela e no fim das contas, se tudo desse errado a gente poderia só jogar boliche!

Quer dizer, a parte do “não estaríamos sozinhos” não funcionava em favor dela: eu estaria com meus companheiros de farra, todos conspirando para que eu ficasse com ela. Mas ela não precisava saber! Até então, eu devia parecer um sujeito nerd romântico solitário que ela conheceu na internet. Que ilusão. Quando ela chegou, ela já foi logo se assustando, pensando (bom, ACHO que ela pensou isso, confirmem com ela depois):

“Meu Deus! Que povo bêbado sem noção. Que menino nojento! E ele nem faz a barba! Que horror! O quê que eu tou fazendo aqui?”

Mas com tudo planejado, e o “não estaríamos sozinhos” já funcionando, fomos pressionados num canto onde consegui um primeiro beijo sob vivas e aplausos. E sob olhar de desespero por parte dela, já pensando que não tinha como a coisa piorar, eu viro pra ela e falo:

– Ou, para de me chamar de Júlio César, sô! Meu nome é João!

Sete anos depois, nos casamos!
Se eu não tomei um tapa na cara nesse dia, acho que nunca mais vou tomar!

(Esse post foi escrito para o jornalzinho interno da empresa onde a Anita trabalha, em homenagem ao dia dos namorados de 2011).

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Curling

Seguindo a idéia desse cara aqui, decidimos treinar o Tomtom desde cedo no Curling @ wikipedia.org (en):

Treinos da equipe juvenil de Curling