Agua para elefantes

Foi essa minha leitura da semana: Água para elefantes, de Sara Gruen.

Eu sempre compro livro pela capa. Sei que o velho ditado diz pra não julgar um livro pela capa, mas eu julgo. Poxa, não dá pra ler todos, tenho de ter um critério. O mais eficiente que encontrei foi esse: Escolho pela capa. Raramente erro. Não é a capa mais bonita, ou "estilosa". É a capa que mais parece com o estilo de livros que gosto.

A capa desse não era particularmente bonita... Mas tinha um "je ne sait quoi" de antigo, de art-deco com cara de novo. Acho que é esses tratamentos de "pátina" que fazem no photoshop... Sei que vi e pensei: essa é a capa de um livro que eu gostaria de ler. E comprei.

E como eu disse, raramente erro. O livro é excelente. A história se passa em duas épocas, intercalando a vida real de um idoso em um asilo de velhos e suas lembranças de um tempo de juventude sofrida no circo, na época da recessão e da lei seca. Enquanto um velho rabugento briga com as enfermeiras, um jovem apaixonado recém fugido da faculdade de veterinária luta por seu amor e pra proteger sua elefanta num ambiente hostil e competitivo de um circo semi-falido. O final é inesperado, apesar de ter sido descrito no prólogo do livro. E o outro final, o do velho, é ainda mais inesperado, apesar de "romântico" e piegas...

Nada profundo, pra quem gosta de filosofia ou coisas do gênero. É um livro pra quem gosta de ler e se divertir. Pra quem gosta de estórias realistas, com suas nuances de alegria e sofrimento. Pra quem gosta de circo e elefantes, ou pra quem gosta de velhos rabugentos e asilos. Se eu escrevi a resenha, é porque recomendo, claro...

--girino 22:32, 16 Março 2008 (BRT)

Feliz? Dia Internacional (da luta pelos direitos) da Mulher.

Ontem no trabalho entregaram uma "cartinha" pras mulheres, exaltando as virtudes femininas. Hoje, pela rua afora, vejo rosas sendo distribuídas. Não sei se é só eu, mas pra mim isso tudo vai de encontro com o que o dia de hoje representa.

Há exatos 100 anos, 8 de maio foi o dia escolhido pela manifestação das mulheres de Nova Iorque para lutar pelos direitos das mulheres: Salários e horários de trabalho iguais aos dos homens e direito a voto. Um ano depois, com muitas baixas pelo caminho, elas conquistaram alguns desses direitos. Um século depois, e muito mais baixas, o luta ainda não terminou. Salários femininos ainda são diversas vezes menores que os masculinos. A violência contra a mulher continua. As mulheres em cargos de chefia ainda são uma minoria, e o preconceito que exige das mulheres feminilidade e submissão ainda se expressa com rosas e cartinhas no dia 8 de maio.

Pra mim hoje é um dia de luto. Mesmo o famoso incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist ( http://en.wikipedia.org/wiki/Triangle_Shirtwaist_Factory_fire ) tendo acontecido apenas anos depois das primeiras manifestações do dia da mulher, este é um dos eventos lamentados no dia de hoje. E é apenas o pior deles, porque os eventos envolvendo o maltrato às mulheres e a repressão contra a luta dos direitos da mulher são infinitos...

Feliz? Sim, porque muitas conquistas foram conseguidas, mas ainda não totalmente feliz. Feliz será o dia onde poderemos ver as mulheres realmente em pé de igualdade com os homens. Não só em casos isolados, mas no mundo como um todo. No dia a dia. Feliz será o dia em que dos 365 dias do ano, nenhum será o dia da mulher, porque todos eles serão dias para todos, de ambos os sexos.

Enquanto tivermos luta para lutar, o dia internacional da mulher não é um dia de exaltar a feminilidade, mas um dia para lembrar a luta que ainda precisa ser travada, para mostrar ao mundo que as mulheres ainda estão dispostas a isso, e para lamentar os terrores e perdas do passado. É um dia de luto pelas tragédias passadas, mas de comemoração das conquistas. É um dia de luta, como devem ser todos os outros 365.

Rosas? Se quiserem, mas antes das rosas, consciência, força e determinação, que são as virtudes que levarão as mulheres a uma posição digna na sociedade.

Feliz luta, e boa sorte!

--girino 12:10, 8 Março 2008 (BRT)