eeebuntu, ubuntu-eee, crunchee e eeexubuntu: Impressões de uma semana depois de comprar um cartão SD de 8Gb

Semana passada eu disse que tinha comprado um cartão de memória de 8Gb pra rodar outros OSs no meu eeepc 701. Essa semana eu conto o que achei, tendo experimentado um pouco de tudo.

O primeiro que eu instalei foi o ubunutu-eee. Achei bacana, mas o tempo de boot era pobrinho. Pedi sugestões e esses foram os que me indicaram:

Ubuntu-eee no meu eeePC

Ubuntu-eee no meu eeePC

A comparação que eu fiz é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa, por isso a percepção de outras pessoas pode ser completamente diferente da minha. Vou dividir as impressões de acordo com o que eu encontrei de diferenças relevantes entre os sistemas, seja porque me agradou, seja porque desagradou.

Pros apressados, uma tabela:

eeebuntu Ubuntu-eee cruncheee eeexubuntu xandros (pre instalado)
Tempo de boot ~2 min ~2 min ~2 min ~1min 20 sec 20 sec (+20 sec para conectar na rede wi-fi)
Interface com o usuário Excelente Excelente (mas mais feio) Ruim Péssima Razoável
Programas pré instalados Ruim Muito bom Bom Ruim Razoável
Configurações especificas para o modelo Bom Ruim Excelente Ruim Pré-configurado

Pros menos apressados... Continue reading

Quando os sapos uivam, a internet re-passa...

Lá pros idos de 1900 e antigamente, quando papel ainda era meio de comunicação de massas e as pessoas usavam fita cassete pelo correio pra mandar músicas pros amigos distantes, meu irmão se interessou por literatura. Poesia em especial. E seguindo os estranhos costumes daquela época medieval, usou de um mecanismo de divulgação bastante estranho: O Fanzine.

Pra quem não viveu na era das trevas, quando google era o barulho que a coca-cola fazia ao sair do "casco" de vidro com tampinha que nem rosca tinha, um Fanzine é um pedaço de papel onde pessoas escreviam suas idéias, desenhos, obras, críticas ou qualquer manifestação que hoje cai no domínio da DMCA, e distribuíam entre os amigos, nas escolas e faculdades ou mesmo no centro da cidade. Usavam-se tecnologias estranhas como "mimeógrafo" ou "máquina de xerox", que assustariam qualquer um hoje em dia, mas que eram demandadas pela religião e tecnologia da época como purificadoras das cópias impressas de forma barata e prática.

Claro que religiões, assim como ciência e tecnologia, mudam um dia! E o Fanzine do Sapão evoluiu! De papel virou bits, de bits virou HTML, HTTP, e por fim virou Blog!

Então, depois de um milênio de evoluções, tenho o prazer de (re)apresentar o Fanzine que o Sapão lançava nos idos do milênio passado:

UIVO

Que como o Sapão mesmo descreve:

O Uivo foi um fanzine (em papel e depois na web) dedicado à publicação de textos literários de autores pouco (ou nada) conhecidos. Agora é um blog...

link (thanks, e re-thanks sapão)

Uma cidade, um homem e uma igreja

Esta é a história contada em A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones. Podia ser um romance histórico: Conta o reinado de Pedro III da catalunha. Ou as relações entre nobres, comerciantes e camponeses catalões no século XIV. E ainda a peste, e o despovoamento. As guerras, lutas e intrigas políticas. As relações entre cristãos, judeus e inquisição. Ou entre o papa e o rei. Ou entre a Catalunha velha e a nova. Entre bastaixos, barqueiros e marinheiros. Entre mulheres nobres, camponesas, prostitutas e suas roupas coloridas.

Mas não é!

É a história de um homem que nasceu, cresceu e viveu por uma cidade e por sua igreja: Santa Maria do Mar. Um homem do povo que amava o povo e se dedicava a ele. Um homem bom. E sua dedicação a Santa Maria do Mar: a mãe que nunca teve.

É Arnau Estanyol, filho de um camponês fugido que encontra a liberdade em Barcelona. Sua lembrança de um pai orgulhoso dizendo: "Agora somos livres!", o faz resistir aos desmandos da nobreza e dos ricos, se tornar um bastaix, orgulhoso de seu trabalho duro. Resistir à peste que lhe tira entes queridos. Resistir à ruína e à inquisição.

É um livro que prende a gente do início ao fim! Não passa um capítulo sem o suspense e a surpresa do que virá a seguir. Cada capítulo é inebriante, denso e encantador! Não é um romance histórico, é a história de um homem que deu tudo por sua cidade, sua igreja e sua santa. E quando menos esperava, foi salvo por todos aqueles a quem ele se dedicou ou amou.

É um livro que deixa a gente triste quando vê que está acabando. Eu queria mais! Quero mais! Por favor Arnau, não me deixe sem histórias!

Agua para elefantes

Foi essa minha leitura da semana: Água para elefantes, de Sara Gruen.

Eu sempre compro livro pela capa. Sei que o velho ditado diz pra não julgar um livro pela capa, mas eu julgo. Poxa, não dá pra ler todos, tenho de ter um critério. O mais eficiente que encontrei foi esse: Escolho pela capa. Raramente erro. Não é a capa mais bonita, ou "estilosa". É a capa que mais parece com o estilo de livros que gosto.

A capa desse não era particularmente bonita... Mas tinha um "je ne sait quoi" de antigo, de art-deco com cara de novo. Acho que é esses tratamentos de "pátina" que fazem no photoshop... Sei que vi e pensei: essa é a capa de um livro que eu gostaria de ler. E comprei.

E como eu disse, raramente erro. O livro é excelente. A história se passa em duas épocas, intercalando a vida real de um idoso em um asilo de velhos e suas lembranças de um tempo de juventude sofrida no circo, na época da recessão e da lei seca. Enquanto um velho rabugento briga com as enfermeiras, um jovem apaixonado recém fugido da faculdade de veterinária luta por seu amor e pra proteger sua elefanta num ambiente hostil e competitivo de um circo semi-falido. O final é inesperado, apesar de ter sido descrito no prólogo do livro. E o outro final, o do velho, é ainda mais inesperado, apesar de "romântico" e piegas...

Nada profundo, pra quem gosta de filosofia ou coisas do gênero. É um livro pra quem gosta de ler e se divertir. Pra quem gosta de estórias realistas, com suas nuances de alegria e sofrimento. Pra quem gosta de circo e elefantes, ou pra quem gosta de velhos rabugentos e asilos. Se eu escrevi a resenha, é porque recomendo, claro...

--girino 22:32, 16 Março 2008 (BRT)

Leituras de carnaval...

Primeiro eu terminei de ler "The (Mis)Behaviour of Markets" do Mandelbrot.[1] É um livrinho bacana sobre o uso de fractais pra modelar o comportamento do mercado financeiro. Alias, o Mandelbrot é TÂO cheio de si que fica até engraçado o narcisismo total e completo do livro. Acho que pra cada referencia algum outro autor ele cita uma publicação dele mesmo em que ele trata do mesmo assunto. Tirando a quantidade de vezes que ele fala da matemática dos fractais que ELE inventou na década de 70 😉 Mas por increça que parível, o livro é MUITO BOM! É fácil de ler (sem muito economiquês nem matemática, afinal é um livro pro público em geral) e com todo o narcisismo, ele não tenta impor a visão dele como única, apenas como sendo uma viável dentre as muitas (apesar dele enumerar as dúzias de vantagens dos modelos dele, claro). Dá uma visão geral da história por tras dos mercados e da modelagem matemática dos mercados, sem muito detalhe de implementação 😉 É divertido e vale a pena de ser lido por quem "brinca" na bolsa.
(por sinal tenho uma cópia que veio a mais da amazon, se alguém quiser comprar...)

Depois parti pro Helix, do Eric Brown, que ganhei de natal do meu irmão. Muda totalmente de estilo, claro. Agora é um livro de FC e não de mercado financeiro. A idéia é a mesma de sempre: terra pós-apocaliptica manda nave com os sobreviventes "escolhidos" para criar uma funda^H^H^H^H colônia em um planeta distante. Todos congeladinhos pra serem descongelados no destino, mas um imprevisto (como estamos na modernidade o imprevisto é um ataque terrorista, claro ;)) acontece e eles pousam um pouco antes da hora (mas já pertinho do alvo) só pra descobrir uma Ringworld^H^H^H^H^H espiral (Helix) de planetas presos "como contas em um colar". Seguem-se duas estórias paralelas desde o início: a dos pioneiros entre os colonos tentando achar um mundo habitável para descongelar o resto da galera, e a de um alien semi-primitivo steampunk lutando contra o governo teocêntrico de seu próprio planeta (qualquer semelhança é mera realidade?). A cada final de capítulo uma pausa para suspense: será que AGORA os colonos encontraram o alien semi-primitivo ou vice versa? Mas não se assustem, se eles se encontrassem cedo demais a estória perdia a graça, n'est-ce pas? No final Tout est bien qui fini mal conclu! As pontas soltas continuam soltas, e você continua meio na dúvida do propósito de tudo, explicado em duas páginas. Mas é engraçadinho e divertido. Leitura para devorar em poucas horas as 500 e poucas páginas. Mais profundo que harry poter, e é mais uma estória de aventura do que de FC propriamente dita (nada de tecnologias mirabolantes, apenas pessoas passando por apertos e confusões num ambiente alienígena). Vale bem a leitura, mesmo não merecendo um Hugo.

  1. ? Eu nunca tinha reparado o quanto que a cara do Mandelbrot parece com o conjunto de mandelbrot, hehehe 🙂

--girino 16:02, 6 Fevereiro 2008 (BRST)