Um cientista na minha vida

Bom, era um desafio do 100nexos, mas eu acabei sem saber sobre qual dos 3 escrever. de certa forma minha vida foi ditada por esses 3 cientistas, e não vejo como falar sobre um sem falar dos 3.

Um deles, o mais velho, era um desses intelectuais às antigas. Inteligente e brilhante como ninguém, com livre transito pela alta sociedade local. Casou-se com uma filha dessa alta sociedade, e como todo cientista das antigas, usou essa influencia pra garantir a sobrevivência sua e da família, enquanto se dedicava à cátedra e a carreira!

Era um cientista político, e como tal, amigo dos políticos. Sempre conhecido e chamado para grandes eventos, carregado de títulos e medalhas, é de uma época em que um cientista é um gigante entre homens... Uma nobreza à parte, uma aristocracia por si só.

Mas os tempos mudam, e a ciência deixa de ser uma expressão de nobreza para se tornar uma forma de rebeldia. Cientista era aquele que queria lutar contra o status quo de ser "apenas" mais um engenheiro, médico ou advogado. Aquele que queria ser algo mais. É nessa década de 1960 mítica que surgem meus outros dois cientistas. Um, filho de camponeses com ideais de liberdade, a outra oriunda da nobreza intelectual arcaica, buscando um rompimento nas barreiras da ciência. Ele em busca do rompimento do status quo acadêmico, de uma meritocracia real, se sentiu traído quando seus amigos idealistas aderiram ao sistema e abraçaram os cargos deixados pelos antigos mestres de quem discordavam. Ela ainda força as barreiras da ciência em vários sentidos.

Cada um me influenciou da sua maneira...

A ética, a postura e dignidade do primeiro foram sempre um marco, um ideal a alcançar. Sempre que penso em como a ciência deveria ser tratada, me lembro dele. Me lembro do tempo que ele ajudou a construir. Me lembro de hoje, e do que ele nos deixou como legado.

Do segundo, tomei os ideais de liberdade, a rebeldia e a força pra lutar.

Da terceira guardei quase tudo. Até o temperamento esquentado as vezes, educado sempre, carinhoso quando preciso; o gosto pela investigação, a preocupação com o futuro, o respeito pelo próximo, a força de vontade, a facilidade do perdão. Tudo isso veio dela.

A teimosia eu herdei dos três.

Não tem como separar minha vida da vida desses três cientistas: Meu avô, meu pai e minha mãe. A influencia deles e da ciência na minha educação e formação são imensuráveis. Tudo que sou hoje, devo a eles, esses cientistas extraordinários que me criaram e educaram dentro dos seus ideais.

Se hoje os homenageio, é porque sem eles, eu não seria nada.

Ciência 2.0

Jon KrausePra quem não gostava do termo Web 2.0 @ wikipedia.org (en) pra descrever o que é a nova onda de aplicações sociais na internet, o que dirá desse artigo da Scientific American: Science 2.0 -- Is Open Access Science the Future?

Vou ser sincero, não li ele todo 😉 Mas li o resumo no slashdot e isso é "quase" a mesma coisa. O ponto de partida é um projeto do MIT que agora recebeu financiamento para se expandir pra fora das fronteiras do famoso instituto tecnológico. Mas existem também os céticos, afinal, segundo um geneticista consultado pelo artigo: "é como se uma antítese da forma como cientistas são treinados"[foot]pra garantir que ninguém se fie na minha tradução de meia tigela, o original dizia "It’s so antithetical to the way scientists are trained"[/foot]. Mas mesmo estes estão aderindo à nova forma de trabalho.

É uma mudança significativa na forma de se fazer ciência, mas ao que parece, uma forma muito mais eficiente de se colaborar e de construir o conhecimento em conjunto. Com disse Bill Hooker[foot]pesquisador "pósdoc" de cancer no Shriners Hospital for Children, de Portland, e autor um levantamento sobre "open-science" para o 3 Quarks Daily.[/foot]: "Eu não gostaria de tentar prever aonde isto tudo vai levar, mas apostaria com certeza de que vamos gostar quando chegarmos lá"[foot]no original "I wouldn’t like to predict where all this is going. But I’d be happy to bet that we’re going to like it when we get there."[/foot].

link (thanks /.)

Edward Lorenz, sentiremos saudades.

LorenzEste post é uma homenagem a Edward Lorenz @ wikipedia.org (en), o "pai da teoria do Caos". Lorenz, com 90 anos, faleceu nesta quarta feira por causa de um cancer.

Lorenz era professor no MIT quando descreveu os conceitos que vieram a ser chamados de "efeito borboleta" (butterfly effect @ wikipedia.org (en)): uma coisa tão pequena quanto uma borboleta batendo asas no Brasil afeta a atmosfera de tal forma que pode ter como efeito tornados @ wikipedia.org (en) no Texas.

link, thanks BoingBoing.

Darwin Online

De uma notícia da Folha Online que me mandaram mais cedo (essa eu deixei passar no RSS, shame on me):

O primeiro esboço de "A Origem das Espécies" e vários outros documentos escritos por Charles Darwin (1809-1882) estão disponíveis na internet pela primeira vez desde quarta-feira (16).


ou ainda, segundo o próprio site:

This site contains Darwin's complete publications, thousands of handwritten manuscripts and the largest Darwin bibliography and manuscript catalogue ever published; also hundreds of supplementary works: biographies, obituaries, reviews, reference works and more.

 

link original e link na Folha, thanks Senna e Muriloq

"Phononics" saindo quentinha do forno...


Foto de um "Diodo" térmico.

Um artigo bem legal sobre "Fonônica"1 no physicsworld.com: Phononics gets hot. A idéia é que nos últimos anos os cientistas tem conseguido produzir elementos que tratam os fluxos de calor da mesma forma que transistores @ wikipedia.org (en) e diodos @ wikipedia.org (en) tratam a eletricidade. Com isso acreditam que será possível construir equipamentos similares aos nossos "eletrônicos", mas que funcionam com fluxos de calor. Para aplicações de computação não seriam os mais apropriados, já que o calor se propaga BEM mais lentamente que a luz @ wikipedia.org (en) ou a eletricidade, mas seria bem legal um "circuito térmico" para manter a casa numa temperatura agradável o tempo todo ou apenas para impedir a entrada de calor enquanto permite a saída dele.

link thanks Dr. Omni


1Não sei se a tradução correta é essa mesmo não, mas chuto que seja 😉


Notícias que só interessam aos girinos...

Saiu na Folha Online:

Brasil tem salto em descoberta de sapos.

Fêmea da perereca Agalychnis callidryas, fotografada na Ilha de Barro Colorado, Panamá.
Agalychnis callidryas (thanks wikimedia commons).

São 17 novos sapos, pererecas e rãs descritos no Brasil em 2007, totalizando 825 espécies conhecidas. O artigo completo tem inclusive o audio com o coachar de certas espécies. Os pesquisadores associam esse "boom" de espécies novas descritas com:

"[...]a atuação de mais pesquisadores e também de iniciativas como o programa Biota, inventário da biodiversidade paulista patrocinado pela Fapesp[...]".

E existe a esperança de se catalogar, em breve, todas as espécies de anfíbios da fauna brasileira.

Isso é que é notícia 😉