Livros da semana

Bom terminei 3 livros essa semana, um eBook e 2 de quadrinhos.

Dead Until Dark

O primeiro livro da série Southern Vampire Mysteries da Charlaine Harris, que deu origem a série de TV True Blood. No começo era uma forma de experimentar ler eBooks no celular (android, rodando o software do kindle). Mas o livro é fácil e empolgante. A narrativa em primeira pessoa dá uma visão mais "pessoal" da história do que o seriado. É mais previsível que na TV, mas tem uma riqueza de detalhes que só um bom livro pode dar. Recomendo muito pra quem gosta de vampiros ou da própria série True Blood. A linguagem é típica de best-seller, e a leitura flui bastante. Bom pra uma tarde de diversão.

MSP: Maurício de Souza por 50 artistas

Ganhei este livro da minha irmã. São histórias curtas ou as vezes apenas um simples charge, escritas por diversos autores em homenagem aos 50 anos de carreira do Maurício de Souza. Confesso que não sou muito fã dele mesmo não, mas sei o que ele representa pro quadrinho nacional. As histórias giram muito em torno dos mesmos tempos, muitas falando diretamente do aniversário de carreira do Maurício. O astronauta também apareceu super-representado, não sei se pela característica futurista do personagem ele pareceu mais fácil de trabalhar pros autores de Sci-Fi, ou se foi pela flexibilidade do personagem... Enfim, exageraram 😀 A maioria é mesmo bobinha, mas algumas são fenomenais. Logo de cara o Laerte abre com a mesma genialidade de sempre! O fechamento, pelo Vitor Cafaggi, também não fica por menos. Lá dentro, as charges simples do Angeli, do Gustavo Duarte e Dalcio machado dão um show a parte. Enfim, vale muito a pena, com algumas estórias fenomenais, apesar de várias meio chochas no meio!

O chinês americano

Esse também foi presente, dessa vez da Lígia e do Pedro, meus vizinhos e companheiros de cachorro. A Lígia teve de ler pro mestrado uma pancada de quadrinhos auto-biográficos, e esse foi um dos poucos que ela deixou de fora. Se arrependeu depois! Eu me arrependeria também de não lê-lo. Pra mim foi o grande motivo desse post: é simplesmente fantástico. O Gene Luen Yang tem arte é simples, num estilo que junta Genndy Tartakovsky e Laerte com um quê de realismo e que dá vontade de ler mais a cada quadrinho. O roteiro mistura a velha lenda chinesa do Rei Macaco com a adolescência conturbada de um filho de imigrantes, sobrevivendo em um mundo que faz questão de rejeitá-lo! Tudo isso com uma cadência e fluidez que prendem o leitor. Difícil é não ler de uma sentada só. Sem a menor dúvida é a melhor história em quadrinhos que já li esse ano.

Quadrinhos da semana

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Sangre de Barrio

[DUCARALHO]

Sangre de Barrio (Vida Louca, em pt_BR), do Jaime Martín.  Eu já tinha visto a primeiro capítulo em algum lugar, não sei se numa Animal antiga, numa edição do El Víbora que tenha passado pelas minhas mãos ou se já tinha comprado nos idos de antigamente, mas como folheei e vi que a história continuava muito além do que eu conhecia, resolvi comprar.

Pra quem foi punk de perfumaria, que nem eu, é ver o outro lado dos anos 80, numa barcelona onde o punk fazia sentido. Onde garotos de periferia viram marginais pra fugir da vida medíocre que sempre vão ter, do pai alcoólatra que abandona a família, vivendo em cortiços junto com traficantes e prostitutas. O traço é simples, em preto e branco, tipicamente underground, e vem acompanhado de uma excelente trilha sonora (com as letras das música acompanhando cada quadrinho em que Vicen liga o rádio ou usa seu walman). Composta principalmente do Punk e do underground espanhol (e barcelonense), as musicas encaixam e acompanham perfeitamente os quadrinhos e a narrativa. Dá uma vontade de procurar e reler ouvindo a as músicas da trilha (não sei se ia dar certo, já que é tudo em espanhol e eu não ia entender nem metade, mas que dá vontade, dá).

Tudo isso mostra a trajetória de Vicen antes, durante e depois do reformatório[foot]Na verdade a história pós reformatório é de outro Graphic Novel, Sangre de Barrio III: Nunca Nada, mas nessa edição da Conrad foi incluído junto.[/foot]. A insatisfação com a vida medíocre, a exploração e subserviência, que ele compartilha com Cepá, o líder da gangue, marcam toda sua trajetória, pessimista e trágica, até o final do livro. Pra quem não conhece, vale a pena conhecer. MUITO.

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Palestina: Na faixa de Gaza

[MUITO BOM]

Palestina: Na faixa de Gaza é o segundo livro da séria Palestina, do Joe Sacco. O Joe Sacco é um reporter de guerra no estilo antigo: Entra nas zonas ocupadas em busca da história. Num estilo moderno também, já que procura sempre a versão do mais fraco, do ocupado, do perdedor. Além disso já ser uma raridade, ele não coloca isso em livros, quer dizer, em livros sim, mas não em palavras. Joe Sacco é "quadrinista de guerra"[foot]eu que inventei esse termo, lembrem-se disso quando todo mundo estiver usando.[/foot].

Eu já tinha lido dele trechos do Sarajevo. O cara é bom. O desenho é mais caricato, mais arredondado que o underground do Jaime Martín, e o próprio Joe Sacco na história é uma caricatura de si mesmo. Baixo, narigudo com cara de tonto e oclinhos redondos, cagão até a alma[foot]ou não, já que eu não teria coragem de fazer nem metade do que ele faz. Ele tem colhões só de poder amarelar enquanto escuta um tiroteio em um campo de refugiados.[/foot], meio mala também. É esse cara que entrevista dezenas de refugiados, tentando perceber como vivem, e o que sentem. Os desenhos são chocantes, mesmo suavizados pelo traço típico de de cartunista americano, mais pelo que representam do que pelo que realmente são. O cara é FODA.

Então se eu puxo tanto o saco dele, porque o Sangre de Barrio é [DUCARALHO] e este é só [MUITO BOM]? Bem, por mais que ele dinamize as coisas, tem toda a lentidão da narrativa, são entrevistas repetitivas com gente muito igual no seu sofrimento, sua raiva, sua frustração. Tem a coisa do traço pouco chocante, da personalidade meio "pastel" dele. Não, nem é nada disso. Sangre de Barrio é [DUCARALHO] porque mexe comigo, mexe com uma pessoa que eu já fui, que eu já quis ser. Mexe com o que eu já vivi, com o que eu já senti, com o que eu já vi. Porra, eu morei numa cidade de operários imigrantes na europa, eu sei o que é ser um moleque numa escola pública que não te leva a lugar nenhum. Eu sei o que é ter o relógio roubado só pra pegar ele de volta na segunda feira com um colega de classe e a desculpa de que "meu irmão não sabia que era seu, e pediu pra devolver". Eu sinto cheiro, sinto vida, sinto Sangre de Barrio correndo dentro de mim de novo. Palestina é [MUITO BOM], mas é só coisas que eu vejo de longe, no jornal...

eeebuntu, ubuntu-eee, crunchee e eeexubuntu: Impressões de uma semana depois de comprar um cartão SD de 8Gb

Semana passada eu disse que tinha comprado um cartão de memória de 8Gb pra rodar outros OSs no meu eeepc 701. Essa semana eu conto o que achei, tendo experimentado um pouco de tudo.

O primeiro que eu instalei foi o ubunutu-eee. Achei bacana, mas o tempo de boot era pobrinho. Pedi sugestões e esses foram os que me indicaram:

Ubuntu-eee no meu eeePC

Ubuntu-eee no meu eeePC

A comparação que eu fiz é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa, por isso a percepção de outras pessoas pode ser completamente diferente da minha. Vou dividir as impressões de acordo com o que eu encontrei de diferenças relevantes entre os sistemas, seja porque me agradou, seja porque desagradou.

Pros apressados, uma tabela:

eeebuntu Ubuntu-eee cruncheee eeexubuntu xandros (pre instalado)
Tempo de boot ~2 min ~2 min ~2 min ~1min 20 sec 20 sec (+20 sec para conectar na rede wi-fi)
Interface com o usuário Excelente Excelente (mas mais feio) Ruim Péssima Razoável
Programas pré instalados Ruim Muito bom Bom Ruim Razoável
Configurações especificas para o modelo Bom Ruim Excelente Ruim Pré-configurado

Pros menos apressados... Continue reading

twilight, ubuntu-eee e clotilde!

Primeiro, graças a Lila, que alguns aqui conhecem, consegui o "O destino se chama Clotilde". Chegou ontem, e eu já comecei a ler. Eu lembrava de muita coisa, mas o que mata são realmente os detalhes: hilários, sempre! Valeu mesmo a pena "caçar" de novo o livro depois de tantos anos. Se tiver paciência, posto uma resenha depois de (re)ler.

Segundo, comprei um cartão SDHC de 8Gb pra instalar outros SO's no meu eee pc. Tentei agora o ubuntu-eee. Legal, mas dois detalhes fodem com tudo: Ele exige muito mais processamento do eee (o micro fica quente enquanto eu uso, o que nao acontece no xandros) e o tempo de boot é ABSURDAMENTE maior. Pelas minhas contas, 6 vezes maior já que de 20 segundos pula pra 2 minutos. Vou experimentar apenas "hibernar" pra ver como fica.

Alguém tem outra dica de SO pra rodar no bichinho? (Sempre no cartão de memória, porque não vou matar o xandros nativo dele enquanto não tiver algo que boote em menos de 30 segundos). Será que rola recompilar o kernel "no braço" tirando tudo que eu não for usar? Outra coisa que me incomoda é o pulseaudio! Rola desabilitar/desinstalar?

Zé Topete e Dentucinha

Zé Topete e Dentucinha

E por ultimo, vi o filme mais emo da historia da humanidade: Twilight! Minha esposa[foot]Desculpa de peidorrero! CLARO que eu que queria ver, afinal o Edward é lindooooooooooooooooooooooo[/foot] leu os livros e resolveu ver o filme. Enrolamos ainda um pouco, e hoje estávamos sem o que fazer, resolvemos ver. Segundo a Anita, o Edward é bonito, mas o filme é um lixo! É arrastado, lento, com péssimas atuações e um elenco EMO, um roteiro EMO e uma filmagem EMO que parece que mesmo quando o casal tá no mór love, tá todo mundo triste, prestes a chorar. A ÚNICA cena onde o povo abre um sorriso é quando o Edward apresenta a dentucinha pra família dele (Confesso que a dentucinha também valeria a pena ver num filme de vampiros "de verdade" onde rolasse um pouco mais de putaria, apesar de ter pouca carne!). Enfim, entendi porque a miguxada adorou o filme: é emo até a alma, e emo tá na moda. O vampiro é bonitão e tem cabelinho com um topete meio emo, meio da moda. E a censura é livre, afinal ninguém come ninguém. Aconselho quem for pedófilo a levar sua namorada de 14 anos, ela deve adorar!

Pensando bem, acho que o ambiente "emo" tem mais a ver com os atores serem todos totalmente inexpressivos do que com a intenção de ser emo. É que o filme é tão ruim, que sem querer fizeram algo que agradasse o público aborrecente e irritasse o resto do mundo. E a coitada da dentucinha desperdiçou a carreira dela com esse filme. Se não filmarem as continuações, ela nunca mais vai conseguir um papel decente (e ela era a melhor atriz do filme todo, tirando talvez o índio de cadeiras de rodas que aparece em duas cenas).

Segurança no desenvolvimento de sistemas em Java

Pra quem acha que segurança é só colocar um firewall, rodar um anti-virus e boas, precisa ler esse site do sapão. É um compêndio de técnicas de programação em Java (mas a maioria pode ser "portada" para outras linguagens) para melhorar a segurança das aplicações.

As dicas vão desde o básico, aplicável a todo trecho de código, até tópicos específicos sobre identificadores de seção em servidores de aplicação, uso de SSL nas conexões e proteção de arquivos de dados. São dicas simples mas com resultados efetivos para evitar não só falhas na segurança da aplicação, como também erros inesperados nos sistemas.

É interessante pra todo desenvolvedor, e também para os profissionais de segurança da informação, que muitas vezes se distanciam da programação e tratam a segurança apenas do lado da infraestrutura de TI. Além do que, nas palavras dele: vou precisar de colaboradores, então quem estiver disposto pode entrar em contato comigo. Recomendo a todos!

O site é: http://java.sapao.net/

E o post do lançamento oficial: http://blog.sapao.net/2008/08/segurana-em-java.html

Manga ou mangá?

Turma da Monica Jovem (Capa edição 1 - ago 2008)

Turma da Monica Jovem (Capa edição 1 - ago 2008)[foot]Foto protegida por direitos autorais, usada sob proteção da lei 9610/1998, art. 46, pp. III e VIII. Não usar fora do contexto deste blog.[/foot]

Caiu na minha mão por acaso e curiosidade[foot]Ok, confesso que comprei, tinha um último na banca e fiquei curioso...[/foot] um exemplar do tão hypeado mangá da Turma da Mônica Jovem. como minha curiosidade me matava, li e resolvi comentar. Não que seja ruim, longe disso. O Maurício de Souza com sua mão de ferro controla muito bem a qualidade do que sai do seu estúdio. Mas decepciona, porque não atende ao hype! Ou pior: de mangá só tem o nome!

Exagero meu. Alguns dos personagens ainda obedecem a estética do mangá, mesmo que de leve. E a cena clássica do garoto tímido sendo espremido nos mamás[foot]©Muriloq[/foot] da menina estava por lá. Os desenhos caricatos estilo boneca de pano e o uso de tracejados nas bochechas pra dar expressão aos personagens também. Mas pra mim isso não basta! Quatro andorinhas só não fazem mangá!

Faltou ambientação, faltou cenário e faltou um roteiro de mangá. Personagens secundários com arte tradicionalmente "Maurício de Souza", cenários simplistas, excesso de diálogos e um roteiro tipicamente turma da Mônica permeiam toda a revistinha[foot]Nesse ponto eu já desisti de chamar de mangá, e gibi é coisa de paulista[/foot].

Bécassine, uma das precursoras das HQs modernas, era uma historinha narrada abaixo de desenhos ilustrativos.

Bécassine, uma das precursoras das HQs modernas, era uma historinha narrada abaixo de desenhos ilustrativos.

Quando eu leio um mangá "de verdade" eu chego no final com um gostinho de quero mais, se não por nada, porque passou rápido: mangá abusa de informação visual, restringindo a informação verbal ao mínimo necessário. A "arte" é o desenho, e não o texto. Já a Turma da Mônica tradicional, no melhor estilo Bécassine, abusa inclusive do recurso do narrador. Gaças a Deus não tinha narrador nessa historinha, mas ainda assim, a história era escrita, com desenhinhos pra ilustrar, e não o contrário.

Faltou dinamismo nos desenhos (claro, só os 4 personagens principais são mangás), faltaram aquelas longas cenas de movimento, onde o fundo congela e o sangue do leitor também.

Como eu disse, não ficou ruim. O Maurício de Souza não ia deixar. Mas não é mangá. É tão e simplesmente Turma da Mônica!

Quando os sapos uivam, a internet re-passa...

Lá pros idos de 1900 e antigamente, quando papel ainda era meio de comunicação de massas e as pessoas usavam fita cassete pelo correio pra mandar músicas pros amigos distantes, meu irmão se interessou por literatura. Poesia em especial. E seguindo os estranhos costumes daquela época medieval, usou de um mecanismo de divulgação bastante estranho: O Fanzine.

Pra quem não viveu na era das trevas, quando google era o barulho que a coca-cola fazia ao sair do "casco" de vidro com tampinha que nem rosca tinha, um Fanzine é um pedaço de papel onde pessoas escreviam suas idéias, desenhos, obras, críticas ou qualquer manifestação que hoje cai no domínio da DMCA, e distribuíam entre os amigos, nas escolas e faculdades ou mesmo no centro da cidade. Usavam-se tecnologias estranhas como "mimeógrafo" ou "máquina de xerox", que assustariam qualquer um hoje em dia, mas que eram demandadas pela religião e tecnologia da época como purificadoras das cópias impressas de forma barata e prática.

Claro que religiões, assim como ciência e tecnologia, mudam um dia! E o Fanzine do Sapão evoluiu! De papel virou bits, de bits virou HTML, HTTP, e por fim virou Blog!

Então, depois de um milênio de evoluções, tenho o prazer de (re)apresentar o Fanzine que o Sapão lançava nos idos do milênio passado:

UIVO

Que como o Sapão mesmo descreve:

O Uivo foi um fanzine (em papel e depois na web) dedicado à publicação de textos literários de autores pouco (ou nada) conhecidos. Agora é um blog...

link (thanks, e re-thanks sapão)

Uma cidade, um homem e uma igreja

Esta é a história contada em A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones. Podia ser um romance histórico: Conta o reinado de Pedro III da catalunha. Ou as relações entre nobres, comerciantes e camponeses catalões no século XIV. E ainda a peste, e o despovoamento. As guerras, lutas e intrigas políticas. As relações entre cristãos, judeus e inquisição. Ou entre o papa e o rei. Ou entre a Catalunha velha e a nova. Entre bastaixos, barqueiros e marinheiros. Entre mulheres nobres, camponesas, prostitutas e suas roupas coloridas.

Mas não é!

É a história de um homem que nasceu, cresceu e viveu por uma cidade e por sua igreja: Santa Maria do Mar. Um homem do povo que amava o povo e se dedicava a ele. Um homem bom. E sua dedicação a Santa Maria do Mar: a mãe que nunca teve.

É Arnau Estanyol, filho de um camponês fugido que encontra a liberdade em Barcelona. Sua lembrança de um pai orgulhoso dizendo: "Agora somos livres!", o faz resistir aos desmandos da nobreza e dos ricos, se tornar um bastaix, orgulhoso de seu trabalho duro. Resistir à peste que lhe tira entes queridos. Resistir à ruína e à inquisição.

É um livro que prende a gente do início ao fim! Não passa um capítulo sem o suspense e a surpresa do que virá a seguir. Cada capítulo é inebriante, denso e encantador! Não é um romance histórico, é a história de um homem que deu tudo por sua cidade, sua igreja e sua santa. E quando menos esperava, foi salvo por todos aqueles a quem ele se dedicou ou amou.

É um livro que deixa a gente triste quando vê que está acabando. Eu queria mais! Quero mais! Por favor Arnau, não me deixe sem histórias!

A culpa é dos comunistas?

A Newsweek tem uma entrevista interessante com a economista italiano Loretta Napoleoni que fala sobre seu livro Rogue Economics. Segundo ela, a globalização e conseqüente quebra do bloco soviético criaram uma série de fenômenos econômicos que saem das regulações existentes, seja de forma totalmente ilegal, como mercados negros e falsificações, seja em "áreas cinzas", áreas sem regulamentação apropriada por falta de visão política das mudanças econômicas, como os investimentos a descoberto dos bancos americanos e ingleses (que geraram a crise atual no mercado americano). A adaptação necessária, segundo ela, é obvia: adaptar as regulamentações existentes para o novo mundo globalizado e combater os mercados negros internacionais.

É uma visão bastante conservadora que ele expõe na entrevista, com duras críticas à globalização. Será que a solução vem mesmo por aí ou isso é apenas mais uma força tentando se agarrar ao status quo? Abaixo, uma amostra da entrevista:

You're critical of globalization. Why?
Globalization has helped rogue economics spread. In the 1970s, you knew where products came from; it was a smaller world. For example, now when you order fish in a restaurant, you don't know where it came from. Seventy percent of the fish we eat is black market, fished in violation of international laws. Our ignorance makes us unwilling partners in crime. Rogue economics is turning the global market into our worst nightmare.

link (by newsweek).

Agua para elefantes

Foi essa minha leitura da semana: Água para elefantes, de Sara Gruen.

Eu sempre compro livro pela capa. Sei que o velho ditado diz pra não julgar um livro pela capa, mas eu julgo. Poxa, não dá pra ler todos, tenho de ter um critério. O mais eficiente que encontrei foi esse: Escolho pela capa. Raramente erro. Não é a capa mais bonita, ou "estilosa". É a capa que mais parece com o estilo de livros que gosto.

A capa desse não era particularmente bonita... Mas tinha um "je ne sait quoi" de antigo, de art-deco com cara de novo. Acho que é esses tratamentos de "pátina" que fazem no photoshop... Sei que vi e pensei: essa é a capa de um livro que eu gostaria de ler. E comprei.

E como eu disse, raramente erro. O livro é excelente. A história se passa em duas épocas, intercalando a vida real de um idoso em um asilo de velhos e suas lembranças de um tempo de juventude sofrida no circo, na época da recessão e da lei seca. Enquanto um velho rabugento briga com as enfermeiras, um jovem apaixonado recém fugido da faculdade de veterinária luta por seu amor e pra proteger sua elefanta num ambiente hostil e competitivo de um circo semi-falido. O final é inesperado, apesar de ter sido descrito no prólogo do livro. E o outro final, o do velho, é ainda mais inesperado, apesar de "romântico" e piegas...

Nada profundo, pra quem gosta de filosofia ou coisas do gênero. É um livro pra quem gosta de ler e se divertir. Pra quem gosta de estórias realistas, com suas nuances de alegria e sofrimento. Pra quem gosta de circo e elefantes, ou pra quem gosta de velhos rabugentos e asilos. Se eu escrevi a resenha, é porque recomendo, claro...

--girino 22:32, 16 Março 2008 (BRT)